Review Assassin’s Creed: Valhalla – game estreia junto com PS5 e Xbox Series X

Marcelo Jabulas | @mjabulas – A mitologia nórdica está em alta. Seriados, quadrinhos, filmes e games vêm explorando o folclore do Norte europeu com personagens como Thor, nas produções da Marvel, e mais recentemente com Kratos, em God of War. Agora a Ubisoft resolveu beber na fonte das valquírias, com Assassin’s Creed: Valhalla, game que chegou ao mercado no dia 10 de novembro junto com o poderoso Xbox Series X, mas com edições para PC, PS4, PS5 e Xbox One, com edições que variam de R$ 200 a R$ 500.

Valhalla, que também pode ser grafado com Valhala, Valíala ou Walhala, vem do nórdico antigo Valhöll. Numa tradução literal significa Salão do Mortos, localizado na mitológica Asgard. É um para lá que o deus Odin leva seus grandes heróis. Para os vikings, é o que os cristãos chamariam de paraíso, só que mais exclusivo. Quando mortos eles são conduzidos pelas valquírias, mulheres com asas, que são um tipo de anjo. Assim, naquela época, todo mundo queria um lugar no Club Med de Odin.

Nova geração

O game foi desenhado para entregar o máximo de performance à nova geração de consoles. Nele é possível ajustar diferentes parâmetros de vídeo e áudio. Ele também oferece ajustes de controle exibição (que permite cenas violentas) e até nudez. Ou seja, o pessoal da Ubi foi bastante meticuloso na produção.

Como aconteceu em Odyssey o jogador pode jogar como homem ou mulher. No game anterior era necessário definir o sexo no inicio da campanha. Dessa vez é diferente e é possível trocar de corpo quando quiser. E para fazer isso, os produtores adotaram um argumento bem plausível.

Talvez o amigo não saiba, mas a série Assassin’s Creed se passa num conflito entre a Ordem dos Assassinos e o Templários. Cientistas desenvolveram uma tecnologia que permite se conectar às memórias de antepassados, registradas no DNA de descendentes dos personagens.

E em AC Valhalla, logo no início do game há uma falha que não torna precisa a identificação do sexo de Eivor, protagonista do jogo. Assim, é possível fazer a troca a qualquer momento. Tecnicamente a mudança do sexo não muda em nada as habilidades de Eivor, apenas a voz da locução.

O jogo

Eivor viu seus pais serem mortos num confronto com Kjotve, o Cruel. Seu pai se entregou para poupar o clã, mas o vilão não poupou ninguém e ainda levou o machado de seu pai. Eivor consegue fugir com a ajuda de seu irmão de consideração Sigurd. Depois de 17 anos, Eivor se livra de uma emboscada e reencontra o machado. E é aí que jiripoca faz piu-piu e a trama começa.

A Ordem

A Ubi criou um roteiro bem consistente para levar a “agremiação” até o Círculo Polar Ártico. Nos primeiros estágios da campanha. Sigurd, o filho do rei, retorna de uma viagem. Junto das pilhagens, ele também levou Basim e seu pupilo. Eles se conhecem no Mediterrâneo e se unem a Sigurd para derrotar Kjotve. E é nesse momento que o Eivor é presenteado com a clássica lâmina retrátil dos assassinos.

Jogabilidade

O game segue o mesmo padrão dos últimos games da franquia. Seu mapa é gigantesco e apinhado de tarefas extras. Lembra das configurações? Pois é, o jogador pode habilitar um modo de navegação em que tarefas, riquezas e desafios não ficam espetados na tela. Isso exige que o jogador faça uma varredura completa no mapa, o que torna o game mais desafiador.

Dessa forma, sempre que brilha um pontinho na guia de orientação, no alto da tela, vale a pena deslocar a rota para conferir o que há. Muitas vezes são amenidades, mas é possível encontrar artefatos valiosos e bom desafios.

Combate

O mecanismo de combate ficou mais simples. Em Assassin’s Creed: Origins (2017), título que levava o jogador para o Egito, foi incorporado mecânicas de ataque e defesa extraídos de “For Honor” (game de luta online de 2016). Era legal, mas um tanto burocrático.

Em Odyssey ele foi simplificado. Agora é R1 para ataque leve, R2 para ataque pesado, L1 para defesa e L2 para armar o arco. No Xbox, a lógica é a mesma. Isso dá mais fluidez ao jogo. Mas o jogador deve ficar atento à sua barra de energia. Assim como em Nioh, o jogador, após golpes e defesas, fica sem fôlego. Nessa hora é preciso recuar para não ser atingido e recuperar o gás.

Indumentária

Quem é habitue da franquia sabe que o jogador precisa melhorar seus trajes e armas. O game oferece além de diversos itens coletáveis pelo caminho, é possível melhorar o que já tem. O jogador pode acrescer runas, que aumentam diferentes atributos. Também é possível coletar insumos para que o ferreiro faça melhorias das peças da armadura e das armas.

Gráficos

A Ubi gosta de caprichar no visual de seus games. Em Valhalla não foi diferente. Se há uma semana Watch Dogs: Legion mostrou uma Londres detalhada e agora expande para um reino gelado. O game tem visual incrível, com belos cenários e incontáveis elementos históricos. Muitos deles serão novidade para o público, pois não são tão populares como as grandes construções egípcias e gregas.

Um dos destaques é a câmera cinematográfica, parecida com aquela de Red Dead Redemption 2. Ela permite contemplar o jogo em diferentes ângulos como se fosse num filme. A textura da água está fotorrealista.

Quem jogar no PS5 e no Xbox Series terá um show de imagens diante dos olhos ainda mais refinado que nos aparelhos veteranos. No entanto, ainda sim é um jogo que entrega uma imersão muito legal no PS4 e Xbox One, com direito a caprichos como o vapor da respiração em locais gelados, rastros e neve grudando nas roupas.

Palavra Final

Assassin’s Creed: Valhalla chega para mostrar mais uma vez a importância da franquia para a Ubisoft e que tem cacife para explorar a nova geração de consoles. Apesar de alguns bugs, o game rodou liso. Claro que, no PS4, ainda temos que conviver com os carregamentos que levam intermináveis segundos. Mas são elementos que não comprometem a experiência de jogo.

O game é muito bem feito e sua jogabilidade é ótima. As escaladas permitem acessar qualquer ponto do mapa e a tradicional navegação (que se tornou trivial desde “Black Flag”) dão ao jogador uma campanha muito rica.

Dizer que o game é melhor que Origins e Odyssey ainda é cedo, mas podemos dizer que a Ubi chegou ao Olimpo, nem que seja o dos vikings.

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