
De Volta para o Futuro chegou ao NES após quatro anos do lançamento do longametragem
Marcelo Jabulas – Todo bom filme geralmente rende um jogo ruim. E com De Volta Para o Futuro (Back to the Future) não foi diferente. Enquanto o longa-metragem de Robert Zemeckis tem 88 no Metacritic e é considerado um dos grandes clássicos do cinema dos anos 1980, já sua versão para o NES está no extremo oposto.
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Lançado em 1989, Back to the Future foi desenvolvido pela Beam Software e publicado pela LJN. A proposta até tenta aproveitar elementos do primeiro filme. Marty McFly precisa interferir o mínimo possível no passado, ajudar George e Lorraine a se aproximarem e garantir que sua própria existência não seja apagada. O problema é que quase nada disso foi transformado em uma mecânica interessante.

O jogo tem início com McFly (ou Calvin Klein) perambulando pelas ruas de Hill Valley, e não pode tocar em nada. Cada falha a fotografia dele e seus irmão vai se apagando. Ela funciona como o medidor de vida do protagonista. E sem dúvida é o elemento mais legal do game.
A maior parte da aventura coloca Marty andando verticalmente pela tela, desviando de obstáculos e inimigos. A inspiração lembra Paperboy, mas sem a mesma precisão ou variedade. O personagem se movimenta de maneira pouco convincente, os controles são duros e vários obstáculos parecem existir simplesmente para dificultar o avanço. A jogabilidade é deprimente.
A relação com o filme também é bastante superficial. Em vez de transformar momentos importantes da história em situações jogáveis, o game utiliza elementos genéricos que pouco têm a ver com Back to the Future. Marty enfrenta abelhas, garotas com bambolês e outros obstáculos que poderiam estar em praticamente qualquer jogo da época.
Gráficos e áudio mediocres
Os gráficos também não ajudam. Para um título de 1989, o NES era capaz de apresentar personagens, cenários e animações mais elaborados. Marty sequer tem uma representação particularmente convincente. Os cenários são repetitivos e as diferenças entre algumas áreas são pequenas.

O áudio é outro problema. O jogo utiliza versões aceleradas de músicas associadas ao filme, incluindo referências a “The Power of Love” e “Johnny B. Goode”. Em vez de reproduzir a identidade musical da produção, as faixas acabam funcionando como ruído repetitivo.
Os minijogos tentam quebrar a repetição, mas acabam introduzindo outro problema: dificuldade pouco equilibrada. Algumas sequências são simples, enquanto outras exigem precisão que os controles não entregam. Há ainda situações em que fracassar em uma dessas etapas obriga o jogador a repetir trechos anteriores.

O resultado é uma adaptação que parece ter recebido mais atenção pela licença do que pelo desenvolvimento de uma experiência coerente. Ele apresenta problemas de design que já eram perceptíveis em seu lançamento. Não dá para defender um jogo que foi publicado 4 anos após o lançamento do primeiro filme da trilogia.
Se fosse um projeto sem tempo, como foi E.T., que teve que ser programado em toque de caixa, teríamos um argumento. Mas com De volta para o Futuro, só mesmo se o time da LJN voltasse no tempo e destruísse o arquivo.
PS. Eu bem que tentei gravar o gameplay, mas tenho certeza de que seria uma tortura com você.
