
Rad Racer combina velocidade e nostalgia em um clássico dos 8 bits
Marcelo Jabulas – A primeira volta numa Ferrari a gente nunca esquece. Eu me lembro até hoje da primeira e única vez que andei num bólido de Maranello, foi em 2007, numa F355 F1. Coisa mais linda desse mundo. Mas antes disso tinha dado minhas voltas com uma 328 em Rad Racer.
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E muito antes de os jogos de corrida adotarem física realista, carros licenciados e pistas tridimensionais, bastava uma estrada, um volante imaginário e um contador de velocidade para criar a sensação de estar atrás do volante. Rad Racer, lançado pela Square em 1987 para o Nintendo Entertainment System (o Nintendinho), é um bom exemplo dessa época. Inspirado em arcades como Out Run, o jogo aposta em uma fórmula simples: acelerar, desviar do trânsito e chegar ao destino antes que o tempo acabe.

A simplicidade, porém, não significa falta de desafio. Rad Racer trabalha com uma perspectiva em terceira pessoa que cria a sensação de velocidade por meio da movimentação da pista e dos objetos na tela. O jogador precisa controlar o carro enquanto ultrapassa veículos, enfrenta curvas e administra o tempo disponível. Não há espaço para longas estratégias: a partida é baseada em reflexos e memorização.
Um dos elementos mais interessantes é justamente a forma como o jogo tenta reproduzir uma experiência de direção com recursos extremamente limitados. A estrada se movimenta rapidamente, os carros surgem em diferentes posições e qualquer contato pode comprometer o ritmo da corrida. É uma mecânica que envelheceu de maneira curiosa. Para quem está acostumado a simuladores modernos, Rad Racer pode parecer rudimentar. Para quem entende suas limitações técnicas, fica evidente o esforço para transformar poucos elementos gráficos em uma experiência de velocidade.

E não desdenhe pelo visual. É difícil demais atingir os check points. Uma batida ou saída de pista custa preciosos segundos. E se o tempo acabar, é bom estar em velocidade máxima, pois seu carro vai literalmente na banguela na esperança de cruzar a bandeirada.
Visual de Rad Racer
O visual é típico da geração 8 bits, com cenários coloridos, veículos relativamente detalhados e pistas que tentam representar diferentes ambientes. A trilha sonora também cumpre seu papel dentro das limitações do NES. O resultado é um pacote bastante associado à estética dos arcades daquele período.
Claro que perto de Out Run, do Master System, podemos notar que a produção do NES é bem mais simples. No título da Sega tudo é mais caprichado, as cores, os elementos animados do cenários e o nível de detalhamento da Ferrari Testarossa (conversível). Até a trilha sonora podia ser selecionada no rádio. Mas Rad Racer tinha algo que Out Run não tinha.

O diferencial estava na possibilidade de escolher entre dois carros, cada um com características próprias de desempenho. O monoposto de Fórmula 1 era inspirado a Lotus 99T que Ayrton Senna pilotou em 1987. No entanto, o número 11 era uma referência ao carro do japonês Satoru Nakajima, já que o brasileiro utilizava o carro de número 12.

O jogo ainda utilizava diferentes cenários e condições de corrida para evitar que a experiência se resumisse a uma única pista repetida indefinidamente. Mesmo assim, a variedade é limitada pelos padrões atuais.
É justamente aí que Rad Racer revela sua principal limitação. A experiência é curta e relativamente repetitiva. Depois de algumas partidas, o jogador já conhece boa parte da estrutura e percebe que a evolução depende mais de melhorar os próprios reflexos do que de desbloquear novos conteúdos ou desenvolver estratégias. Não existem sistemas de progressão, personalização ou modos capazes de ampliar significativamente a longevidade.

Ainda assim, Rad Racer permanece relevante como retrato de uma fase importante dos videogames. Ele mostra como os desenvolvedores precisavam trabalhar com perspectiva, velocidade e sensação de movimento usando uma quantidade mínima de recursos. Não é um jogo de corrida que compete diretamente com os títulos atuais, mas funciona como registro de uma época em que a ideia de pilotar um carro na tela dependia mais da imaginação do jogador do que da tecnologia.
Para quem gosta de história dos games, Rad Racer vale a visita. É um jogo bonito, divertido de uma época que jogar videogame era só uma brincadeira.
