Jogamos Doom Eternal: Ancient Gods Part Two

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Doom Ancient Gods

Marcelo Jabulas |@mjabulas – Quem é meu contemporâneo deve se lembrar das antigas radiolas com diferentes rotações, que variavam entre 16 e 78 rpm. Esse ajuste se dava pelas diferentes formas de gravação dos bolachões, com trilha mais curta ou mais longa. Daí era preciso ajustar a velocidade do aparelho para o som não sair distorcido. Em “Doom” é mais ou menos assim.

O game original, de 1993, tinha rotação lenta, enquanto o game de 2004 tinha rpm mediano e depois do reboot de 2016, o game passou a “tocar” como uma banda de Speed Metal, como faziam o Metallica e o Megadeth nos anos 1980. Agora chegou “Ancient Gods Part Two” (PC, PS4, PS5, Xbox One e Xbox Series), a segunda expansão de “Doom Eternal”, que é simplesmente um LP rodando como um CD (que tecnicamente varia de 180 a 500 rpm).

Doom Ancient Gods

Ou seja, é um game absurdamente rápido, salpicado de criaturas infernais brotando na tela. E mesmo quando se joga no modo mais fácil, o jogo é implacável.

Trama de Ancient Gods

O terceiro ato de “Doom Eternal” coloca um ponto final na luta da humanidade contra os seres infernais. A história, no entanto, passa a tomar um rumo mais fantasioso. Mesmo que o reboot de 2016 já trouxesse elementos ritualísticos ao enredo, com o próprio poder de Doom Slayer, que emerge após uma cerimônia numa cripta, os novos conteúdos amplificam o discurso místico mesclado com o tecnológico.

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É uma narrativa que remete a franquias como “Warhammer 40.000”, em que há um elemento teocrático envolvido. Isso porque, como o próprio nome sugere (deuses ancestrais), essa relação entre as dimensões é algo que vem de longa data.

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E na trama o jogador descobre que não está sozinho. Há clãs e criaturas místicas como dragões, numa pegada bem diferente do que era “Doom 3”, que tinha uma abordagem científica para explicar o fenômeno do portal do inferno.

Gameplay

De “Doom Eternal” a “Ancient Gods Part Two”, a dinâmica de jogo evoluiu. A id desenvolveu o game com a lógica de que o jogador jogará a campanha principal, a primeira expansão e posteriormente a segunda. Inclusive de um intervalo de alguns meses para que o jogador completasse cada um dos episódios.

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Dessa forma, “AG2” chega como se fosse o segundo dan de uma arte marcial. O jogador entra na trama com uma série de obstáculos, desafios que exigem saber utilizar recursos mostrados anteriormente. Pulo duplo, impulso, gancho da escopeta de cano duplo, canhão de ombro, serra elétrica e troca de armas e upgrades são exigidos desde o início da história.

A quantidade de criaturas que brotam na tela também assusta. De uma vez só surge aquela maldita aranha Arachnotron, acompanhada de Cacodemons e Mancubus. E depois que o jogador elimina essa horda, surgem as versões aprimoradas dos mesmos que são ainda mais fortes, como o Cyber-Mancubus. Tudo isso acompanhado de incontáveis soldados possuídos e aqueles diabinhos que atiram bolas de foto.

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Uma vantagem, assim como em “Ancient Gods Part One” é que o jogador entra na campanha com arsenal completo, com direito a todas modificações para as armas. Algo lógico, pois como se trata de uma história contínua, não teria razão retirar as metrancas conquistadas, de forma árdua, no game principal.

Heavy Metal

A velocidade do game também é amplificada pela trilha sonora composta por David Levy e Andrew Hulshult (Confira nossa conversa com os músicos), que deixa o jogador ainda mais “adrenado”. O riff pesado se mantém de forma constante. Claro que muitas vezes é impossível prestar a atenção na música, mas ela é quem dá o compasso de cada batalha.

Gráficos

Doom Ancient Gods

Os gráficos de “Doom Eternal: Ancient Gods Part Two” seguem o mesmo padrão da atual série. O game tem cenários muito bem elaborados, com aquela estética musculosa, trivial nos jogos da id. Os efeitos de iluminação e sombras também são esmerados, assim como a grandiosidade das estruturas.

 

Palavra final

Doom Ancient Gods

“Ancient Gods Part Two” nada mais é que o exame final para uma colação de grau. Trata-se de um FPS que deixa de ser tático e realista para buscar uma experiência arcade, muito intensa. É um jogo em que ficar parado significa a morte. Não existe a possibilidade de ficar escondido, flanqueando o inimigo e tentar atingi-lo de surpresa. Em “Doom”, a melhor defesa é sempre o ataque.

O nível de dificuldade praticamente exige que jogador jogue os games em sua ordem cronológica. Ele não se porta como um “Call of Duty” ou “Battlefield” que evoluem em desafio seguindo uma toada realista. Em “Doom” você literalmente enfrenta o diabo e sua gangue.

Um fechamento mais que merecido para a série que consolidou o gênero de jogo de tiro.

Disponível para PC, PS4 e Xbox One.


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