Som infernal – Conversamos com os compositores de Doom Eternal

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DOOM ETERNAL

Marcelo Jabulas | @mjabulas – Nos primórdios do cinema, era comum pianistas se apresentarem ao vivo durante a exibição de um filme. Para isso, o músico precisava conhecer a trama e entregar uma performance que amplificasse a dramaticidade de cada cena ou sequência.

Depois disso, a música se tornou um dos elementos mais importantes nos filmes, assim como nos seriados, novelas e até em livros. Há, inclusive, editoras que adicionam filipetas com músicas para serem executadas em determinados pontos de um livro.

Nos games não é diferente. A música tem enorme impacto na imersão do jogador. O primeiro game que eu me lembro de ter música foi “Moon Patrol”, do Atari 2600, que tinha uma musiquinha deliciosa, que acompanhava o “molejo” do carrinho.

Trilha de Doom Eternal

De lá para cá, a música passou a construir a relação do jogador com o game. E fomos conversar com os compositores responsáveis pela trilha sonora de “Doom Eternal”, Andrew Hulshult e David Levy, que também trabalham nas expansões “Ancient Gods – Part 1” e “Part 2”.

DOOM ETERNAL
David Levy e Andrew Hulshult

“Doom” não foi apenas a série que consolidou o formato dos jogos de tiro em primeira pessoa (FPS), mas também ficou marcado pela qualidade de sua trilha sonora. A música de abertura, “At Doom’s Gate”, de Mick Gordon (que lembra demais “Master of Puppets”, do Metallica), se tornou um clássico.

Ela fazia com que o jogador saísse, com sangue nos olhos, atirando nas criaturas do cenário. Mais ou menos o que acontece quando se houve o clássico de James Hetfield e sua trupe.

Para os músicos, a produção de uma trilha para jogo tem a mesma função que para um filme ou seriado. Ela precisa amplificar a percepção do jogador durante a trama. “A música entrega energia para os momentos dramáticos”, explica Andrew.

No entanto, há diferenças entre a trilha de um jogo e a de um filme. Pois, na película ou no capítulo de um seriado, os momentos de tensão e dramaticidade têm duração específica e casam com a música. Com um game, apesar do roteiro, os músicos explicam que há também a forma que o jogador conduz sua campanha.

“A música deve acompanhar os desafios e, muitas vezes, as sequências que se repetem durante o tempo que o jogador leva para avançar. Ela precisa entregar dinamismo que se espera para aquele estágio”, observa Hulshult.

Para Levy, que veio da televisão, a dinâmica de criação é muito diferente. Num episódio de um seriado a música serve para marcar transições de climas e acentuar o tipo de sentimento de cada sequência. No game, a música precisa casar com pontos de tensão do jogo. “Não basta adicionar a música, ela tem que conciliar com o que é mostrado na tela. É um trabalho difícil. Muitas vezes, você pode levar um dia ou semanas para fazer com que a música se encaixe numa parte do game”, conta.

No caso de “Doom Eternal”, que é um game frenético, com demônios pipocando para todos os lados, a música serve para amplificar essa sensação de velocidade. Ela também atua como um sexto sentido, para antecipar os momentos de combate. É batata, quando a trilha começa a ficar mais pesada, é sinal de que problemas virão à frente.

No entanto, os compositores explicam que a música deve atuar de forma a melhorar a experiência e nunca concorrer com demais elementos do jogo. “O diretor de áudio fica encarregado de equalizar a música com as falas assim como efeitos”, explica Levy.

E o questionados sobre a opinião dos compositores sobre a barra de volume de música, no menu de configuração. A barra permite retirar totalmente a música do jogo. Eles foram diplomáticos, após uma longa gargalhada. “É bom que nosso trabalho seja apreciado, mas o mais importante é a experiência do jogador”, respondeu Hulshult.

O músico concorda que em games de corrida, por exemplo, nem sempre a música encaixa bem com o jogo. “Nesse caso, o que vem à sua cabeça é se essa música é a que você iria ouvir no seu carro”, comenta.

Para fechar a conversa, perguntei se eles poderiam dar um spoiler sobre o que veremos na DLC, “The Ancient Gods – Part 2”. Hulshult não titubeou: “Spoiler que você quer? Posso garantir que terão muitos demônios para matar com nossa música ao fundo”.
O cara não desafina!


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