Jogue outra vez: Call of Juarez – Gunslinger

GAMECOIN - GUNSLINGER A

Christofer Ferreira
Especial para Gamecoin

Quando se houve falar da franquia Call of Juarez, logo se pensa: “legal, tiroteio no bom e velho oeste (sim, eu ia escrever velho velho oeste!)”. Para a enorme decepção dos fãs, quando foi anunciado The Cartel, esse entusiasmo foi para o saco. E pior: além de ser um jogo ambientado em tempos atuais, ele era completamente horrível. O que pensar então de um game que, apesar de voltar às origens com background western, seria anunciado para venda apenas por mídia digital, e com um preço reduzido? Veremos ao fim dessa análise.

Toda a temática de Call of Juarez: Gunslinger é baseada no velho oeste americano. E a história do jogo se inicia em 1910 com Silas Greaves, o protagonista do jogo, chegando em um bar na cidade de Abilene, no Kansas. Ao adentrar no bar, algumas pessoas perguntam se já se conhecem, e quando ele diz seu nome, todos se espantam, pois ele é (ou era) um caçador de recompensas famoso. Os bebuns perguntam se as histórias que contam por aí são verdadeiras, e ele diz que algumas sim. Então pedem para contar alguma, e ele começa contando como conheceu Billy The Kid.

Isso de citar personagens históricos famosos é bem comum durante a gameplay, mas vocês devem estar se perguntando se outra franquia já não faz isso frequentemente não é? Algum palpite? Preciso responder? Vocês sabem que estou falando Assassins Creed, certo? Bobeiras a parte…

O game se aproveita de eventos históricos reais do velho oeste para alimentar o enredo. Quando eu digo que o jogo “se aproveita”, é pelo seguinte motivo: alguns desses eventos reais não tem os detalhes da história bem definidos, ou seja: muitos deles aconteceram de verdade, mas os fatos de como aconteceram são incertos. E o jogo tenta encaixar Silas nessas brechas. Por exemplo: Se há um tiroteio em frente a um banco onde quase todos os envolvidos morreram, mas somente um desconhecido sobreviveu, no game esse será Silas, ou até pode ser ele quem matou todos os outros, isso depende. Pessoalmente achei essa ideia genial.

GAMECOIN - GUNSLINGER C

Mecânica e jogabilidade

Toda o gameplay é narrado por Silas, e nessa narrativa as personagens presentes no bar interagem “se intrometendo”. As cutscenes são narradas também, e são transmitidas por imagens muito parecidas com desenhos de HQ. E que fique claro: isso não é um ponto negativo. Pelo contrário, é até bem legal.

As vezes, algum dos espectadores da história podem atravessar a narração achando que a conhecem e contá-la errada (lembram do trecho acima em que disse que “se intrometem”?). Nesse caso, jogamos esses eventos, e depois quando Silas corrige e conta o que aconteceu de verdade, a história “rebobina” e jogamos ela outra vez, mas com os eventos contados de forma correta. Isso pode acontecer também se Silas se confundir e contar algum trecho errado e depois se corrigir.

Como já é de costume por parte da Ubisoft, o jogo está com legendas em português. Mas o mais interessante é a tradução que fizeram. Algumas palavras eles adaptaram de forma caipira para o português, como ‘ocê’ ao invés de ‘você’, ‘marvada’ ao invés de ‘malvada’, etc. Isso é um tipo de tradução da linguagem caipira do velho oeste para o caipira brasileiro. É um ponto bem legal, pois mostra um nível alto de comprometimento por parte da produtora. Os gráficos, por sua vez, são “cartunizados”, coloridos, mas bonitos. De certa forma o visual do jogo se parece um pouco com Borderlands.

GAMECOIN - GUNSLINGER

O sistema do jogo para adquirir e melhorar habilidades, é via ganho de pontos de experiência (XP). Esses pontos são obtidos matando os inimigos, obviamente. Há também níveis para evoluir /desbloquear as habilidades. A jogabilidade é de um FPS no estilo arcade, simples. Mas há algumas particularidades para explicar, como os exemplos abaixo:

– Modo de concentração: tudo fica em câmera lenta e os inimigos ficam destacados em vermelho para facilitar nossos tiros. Há uma barra que se enche conforme matamos inimigos.

– Modo Pressentimento: quando estamos para morrer, o game foca no atirador que disparou a bala que nos mataria e tudo fica em câmera lenta, como no modo de concentração. A diferença é que podemos ver a trajetória da bala e desviar. É bem básico: a bala vem na esquerda ou na direita e temos de desviar para o lado oposto rapidamente.

O game é dividido em capítulos, e quase sempre o chefe do capítulo é enfrentado em modo duelo, que funciona da seguinte forma: A visão fica na altura da cintura de Silas, e aparecem a mão e a pistola (to falando do revolvér). Há uma mira circular grande, onde temos de mantê-la sempre no alvo (que muitas vezes se mexe, andando lateralmente). Quanto mais conseguimos mirar no alvo, mais a mira gira e fica menor. Isso se chama foco, e é mostrado por porcentagem.

GAMECOIN - GUNSLINGER B

Essa mira se movimenta de uma forma meio “bêbada” para dificultar um. Podemos também movimentar a mão de Silas para deixá-la mais perto da arma para uma sacada mais rápida. Quando começamos a ouvir o som de batimentos cardíacos, podemos sacar e atirar. Mas se fizer isso, Silas fica conhecido como desonroso, ou seja, por ter vencido um duelo sem honra. Então podemos esperar o inimigo sacar primeiro e só depois sacarmos, mirar e atirar.

Pepitas da verdade

É possível achar alguns itens colecionáveis chamados Pepitas da Verdade, que contam a historia dos personagens do game (como Billy The Kid) ou de eventos da época, como guerras, etc. Nesse caso é a historia real. Mas esse “real” é bem relativo, visto que as histórias do velho oeste são cheias de furos. É possível encontrar também armas raras pelo cenário. Geralmente elas tem um visual personalizado e uma história por trás da mesma, ou até mesmo de seu dono (ou último dono). Um exemplo é a espingarda ‘Marvada’ que encontramos no inicio do game.

Considerações finais

Lembram da pergunta dramática do inicio? Pois bem, acho que foi respondida, certo?!
Gunslinger é um game muito bem feito, bastante divertido, inovador – de certa forma – no quesito “narrativa” e com gráficos e dublagem muito interessantes. Se ele é um game fantástico? Depende do ponto de vista. Pelo preço em que é vendido (R$29,90 na steam) é sim um game fantástico. Mas no geral, é “apenas” um grande game, e que com certeza vale a compra. É, conseguiram mesmo arrancar a má impressão que o The Cartel havia deixado…

Call of Juarez: Gunslinger tem versões para PC, PlayStation 3 e Xbox 360 e pode ser adqurido nas redes PSN, Xbox Live Arcade e Steam.

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