Videogame não é ovo Fabergé

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Marcelo Iglesias | Redação GameCoin

Assim como a música e o cinema, os games também são capazes de romper a barreira do tempo. Ao contrário de outros produtos “binários” como softwares e aplicativos, que demandam constantes atualizações, os games são atemporais. Uma comprovação é a grande demanda por consoles, cartuchos antigos vendidos em sites de usados. Um cartucho, dependendo do console, da relevância e série, pode custar mais que a versão de luxo de qualquer grande lançamento de peso.

Duvida? Então entre no Mercado Livre e dê uma busca por The Legend of Zelda: Ocarina of Time. O game é considerado com um dos melhores jogos, não somente do Nintendo 64, mas também como um dos melhores títulos da história. Daí, devido à sua pompa e circunstância, dependendo da edição, o cartucho custará mais de R$ 300. Outro dia, vi um anúncio de uma versão lacrada de Super Mario All Stars por nada modestos R$ 899.

O interesse em colecionar games antigos fez emergir um mercado que de itens que andavam abandonados nos quartos de despejo, onde cartuchos originais, joysticks de séries especiais são melhor cotados. Num garimpo por alguns títulos, encontrei um rapaz que trazia jogos de Super Nintendo dos Estados Unidos e revendia aqui pelo Facebook. No acervo tinha três games que me interessaram: Super Mario World, Street Fighter II e Top Gear. O preço era até generoso (R$ 210), num mercado em que um cartucho pode superar um salário mínimo.

Mas o que me chamou atenção foi quando o vendedor disse que, caso eu quisesse, poderia enviar foto dos cartuchos desmontados para eu conferir a originalidade dos componentes. Disse que não era preciso, bastava que estivessem funcionando.

Numa outra aquisição, comprei três cartuchos de Mega Drive por R$ 40 (Super Monaco GP, NBA Jam e Streets of Rage II). O vendedor fazia questão de dizer que os jogos não eram originais e que não faria reembolso. Mais uma vez a exigência era só uma: Estando funcionando, podem vir até colados com cuspe!

Videogame ostentação

Na minha vã filosofia, quem compra um cartucho quer é se esbaldar com o game e não expô-lo na sala de visitas como se fosse  um Ovo Fabergé. Ledo engano. Muita gente coleciona games da mesma forma que colecionam carrinhos e brinquedos aprisionados em suas embalagens. A explicação é a mesma de quem compra uma Ferrari 250 GTO, deixar imaculado para vender mais caro no futuro. Tudo bem, que pode ser um modelo de negócio, mas sinceramente, se eu tivesse uma 250 GTO levaria meu filho para escola nele todos os dias da mesma forma que espalho meus consoles antigos na sala de casa.

Afinal, qual é a graça de ter um algo que você não pode usufruir? Para que ter uma cópia de “Super Mario World” lacrada, se o grande barato está justamente em dar aquele rolé maneiro com o Yoshi? De que serve aquele Atari 2600, com acabamento em madeira, se ele está sufocado dentro de uma caixa há mais de 30 anos como se fosse um faraó mumificado?

Então, se você tem um videogame antigo, um game legal, curta ele com seu pai, irmão, primo, filho, pois a vida passa rápido e não tem botão “Reset”!

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