Review – The Sims 4: Diversão na Neve

Marcelo Jabulas | @mjabulas – Foi há 20 anos quando joguei The Sims pela primeira e última vez, até o mês passado. Lembro de quando o “simulador de vida” chegou ao PC, em 2000. Na época, era um game extremamente inovador. Não demorou para uma cópia aparecer no desktop do gerente de TI da repartição onde eu trabalhava. Era a sensação do horário de almoço.

Agora, após duas décadas, volto a me encontrar com o game, que está em seu quarto episódio, publicado em 2014, mas que ganha sobrevida com o lançamento de pacotes temáticos. E foi com Diversão na Neve que joguei pela primeira vez num console.

Comandos

No entanto, o que chamou a atenção foi a ausência do mouse. Controlar a seta e ângulo de câmera nos analógicos (testamos no PS4) demanda um pouco de treino. Mas logo a coisa se resolve.

Acontece que o menu tem diferentes caminhos. Além do controle do personagem, no modo simulação, há também o menu de construção, assim como aquisição de bens. E às vezes tirar a mobília do lugar pode demorar um tempão.

Era do gelo

Para rodar o conteúdo extra, foi necessário aclimatar no jogo original. Aprender novamente a construir seu personagem, sua casa, relações e carreira. Depois foi a vez de vivenciar Diversão na Neve. É incrível como The Sims consegue ter um sabor de realidade. A expansão funciona como uma viagem de férias. Nela, o jogador deve se concentrar aproveitar ao máximo os atrativos do mapa.

E como em toda viagem de férias, há momentos legais e outros nem tanto. Por exemplo, seu Sim vai curtir criar bonecos de neve, fazer guerra de bolas de neve, esquiar, descer de trenó, dentre outras brincadeiras. Mas também terá que se virar em banheiros públicos e comer comida de máquinas de vendas. E enquanto tudo isso ocorre, como na vida real, seu saldo vai escorrendo diante dos olhos.

Em The Sims 4, assim como a expansão Diversão na Neve, tem como via de regra executar diversas atividades cotidianas. No entanto, a expansão adiciona diferentes desafios gelados, como esquiar, praticar snowboard, fazer bonecos de neve ou anjinhos abrindo e fechando pernas e braços no chão e demais atividades abaixo de zero.

No entanto, o pacote, da mesma forma que as expansões anteriores, permite que o jogador também compre ou construa uma casa nesse mapa nevado. É possível, fazer novos amigos, constituir família nesse inverno eterno. Mas para isso, é preciso que ele já tenha prosperado em seu mapa natal.

Cotidiano

A lógica do jogo de 2000 para a versão atual é a mesma. O jogador precisa viver a vida de seu personagem. Comer, dormir, tomar banho, ir ao banheiro, lavar as mãos, trabalhar, assistir TV, jogar videogame, praticar esportes, namorar e tudo mais que um homo sapiens faz.

Ou seja, todo dia ele faz tudo sempre igual e acorda às seis horas da manhã. Não se espante, afinal Chico já tinha nos contado isso há quase 50 anos. A gente que finge de desentendido.

Mas um ponto interessante é que o game evoluiu em relação ao comportamento do personagem. Quando se cria um Sim é preciso passar por um breve psicotécnico. Games como Fallout: New Vegas e até mesmo o recente Call of Duty: Black Ops Cold War também insere esse tipo de elemento.

Assim, atributos psicológicos são adicionados. Então, não se estranhe se seu personagem tiver o hábito de contar piadas para a parede. E muito menos se se ele surtar de vez em quando. Quem nunca?

Rotina

Mas não é possível viver de bolas de neve. Quando seu Sim estiver de passagem pelo mapa gelado, ele também precisará comer, beber e ir à “casinha”. E se o jogador não tiver um abrigo, o humor do personagem pode sair de controle.

O game também oferece desafios como escaladas, que podem ser fatais. Ele pode despencar ou perder as forças. Aí é fim de jogo. É uma simulação bem parecida quando um sujeito sem experiência resolve brincar de aventureiro na vida real.

Aliás, a morte é um risco constante no jogo. Apesar de The Sims 4 não ser um jogo violento, seu Sim pode morrer de diversas maneiras. Uma aventura culinária mal executada pode provocar um incêndio e seu Sim virar churrasco.

Palavra final

Depois de tanto tempo, jogar “The Sims” novamente foi uma experiência interessante. O game não é tão divertido como era há 20 anos. Talvez pelo fato de outros games modernos de RPG ou Mundo Aberto terem adicionado elementos de sobrevivência da franquia.

Mais uma vez, a rotina das necessidades básicas do Sim acabam por tornar o jogo melancólico, ainda mais se o seu Sim não é o mais sociável de seu mundo virtual. Acordar, comer, tomar banho, trabalhar, se tornam rotinas quase que robotizadas. E se o amigo notar uma semelhança com sua própria vida, não se assuste, afinal esse bonequinho meio que repete o que fazemos todos os dias.

Por outro lado, a expansão “Diversão na Neve” remove algumas das obrigações do Sim, como se ele estivesse em férias. No entanto, vale a pena garantir um cantinho, pois seu personagem não se contentará em comer comida de máquinas automáticas, que nem sempre entregam o pedido ou caem bem no estômago. E ainda vai ter nojo de ter que se aliviar no banheiro público.

Nada diferente de uma viagem de férias de verdade.

Com versões para PC, Mac, PS4 e Xbox One, com preços entre R$ 159 e R$ 200, fora o game original, que custa R$ 160.

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