Hatred: Dois Pesos e duas medidas

GAMECOIN HATRED
Marcelo Iglesias*
No ano passado a Steam, maior loja virtual de games para computadores da Internet, decidiu banir o game Hatred por considerado extremamente violento e por fazer apologia à homofobia,  xenofobia, racismo e outros ismos asquerosos. Acontece que o game nem tinha sido publicado e foi bloqueado. Mas a Steam voltou atrás e colocou o game de volta em seu catálogo, com lançamento para o início de junho, com classificação para maiores de 18 anos.
Na página do jogo, dentro do portal da Steam, não há preço declarado e apenas uma informação de que ele será destravado na data do lançamento. Na Europa o game custará 17 euros (Alto entorno dos R$ 54,50), por aqui deve não deve ultrapassar os R$ 80, já que se trata de um jogo para PC e vendido em formato digital. Chama atenção é que a brevíssima descrição do título não menciona nada sobre matar asiáticos, negros, gays como as bravatas de outrora afirmavam.
Agora, a sinopse do game conta a história de um sujeito atormentado que decide se vingar da humanidade e passar fogo em todo mundo. Um editor comenta dizendo que no meio de sua campanha por destruição, o protagonista se depara com momentos de amizade, o que o faria pensar em seus atos. Já seus criadores defendem que matar personagens virtuais é diferente de assassinar seres humanos reais. Bom, é verdade o tema não deixa de ser perturbador e nojento, mas não faz nada que demais games já fazem.
GAMECOIN HATRED 2
Call of Duty coloca o jogador na pele de soldados norte-americanos matando nazistas, soviéticos, fanáticos religiosos e até mesmo favelados cariocas, como em Call of Duty: Modern Warfare 2 e pouco se falou. Na verdade a única crítica que Modern Warfare 2 teve foi em relação à missão “No Russians”, em que o jogador participa de uma chacina em um aeroporto na Rússia. A Activison e a Infinite Ward, distribuidora e produtora, resolveram a questão inserindo um recurso que permite bloquear a missão, caso o jogador se sinta incomodado ou ofendido. Ninguém deixou de vender Modern Warfare 2 por causa disso.
Alguém pode levantar a mão e dizer, que nos jogos da franquia da Activison o soldado confronta contra inimigos armados a serviço de seu pais, bla, bla, bla… Bom, mas o que dizer de “Grande Theft Auto” que permite que o jogador, na pele de um criminoso, tenha liberdade de cometer qualquer tipo de atrocidade com os incautos transeuntes que preenchem os cenários? “GTA V” está lá na Steam, alardeado por seus gráficos com suporte 4K.
Mas por que jogar pedras apenas em Hatred? Será porque a diminuta polonesa Destructive Creations não tem a mesma representatividade da Rockstar e da Activision? Não faço defesa para Hatred e nem seus produtores, que são apontados de extrema direita, apesar de considerar todo extremismo e qualquer ismos uma grande estupidez, como diria o grande Ferris Bueller. Mas só acredito que não possa haver dois pesos e duas medidas, aí a coisa vira palhaçada.
Ps. Antes que alguém comente, eu adoro de GTA e Call of Duty!
(*)Texto publicado originalmente no blog do Gamecoin no jornal Hoje em Dia
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