Steam Deck: Será que dessa vez a Valve acerta?

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STEAM DECK

Marcelo Jabulas | @mjabulas – A indústria de games tem inovado nos últimos 45 anos com apostas que funcionam e também dão muito errado. Não é novidade para ninguém que ela se fundamentou em três formatos de consoles: o de mesa (como Atari, Super Nintendo, PlayStation e Xbox), assim como o computador e o portátil (como Game Boy e PSP). Mas volta e meia surgem novas apostas e a Valve parece que finalmente chegou na solução ideal, com o Steam Deck.

Trata-se de um console híbrido, como o Nintendo Switch, mas que roda os games de computador que são oferecidos na plataforma Steam. Com tela de sete polegadas, sensível ao toque, processador AMD Zen 2 e armazenamento eMMC com versões de 64GB, 256GB e 512GB, assim como bateria para oito horas, ele promete alta performance para jogar no banco do carona ou conectado a um televisor, com no similar japonês.

Segundo a Valve, seu lançamento comercial está marcado para dezembro e o aparelho pode ser a consolidação de seu projeto de mercado. A empresa que ficou famosa pelas franquias “Half-Life” e “Counter-Strike” há muito criou o Steam, que há 14 anos poderíamos chamar de iTunes dos games.

Essa plataforma de vendas de games se tornou um fenômeno e atraiu interesse de empresas como Amazon e Epic, que também criaram seus similares. Foi uma das soluções mais inteligentes para enfraquecer a pirataria e também o custo de distribuição. Com uma mesma conta, o usuário pode acessar seu conteúdo em diferentes máquinas, sem amolação.

STEAM DECK

Antes do Steam Deck

No entanto, a Valve sempre quis um aparelho próprio. Em 2015 ela lançou o Steam Machine, uma espécie de Xbox que rodava games para PC e utilizava sistema operacional próprio: SteamOS. Na prática era um computador de alta performance, mas com aspecto de estação de entretenimento, como tem sido com os consoles desde que passaram a rodar DVD.

Mas a empreitada não deu muito certo e em 2018 o Steam Machine foi descontinuado com menos de 500 mil unidades vendidas, pois era caro e era mais vantajoso comprar um computador e jogar os jogos nele. Mas com o Steam Deck a Valve quer percorrer o mesmo caminho que a Nintendo descobriu há 40 anos com o Game&Watch.

A Big N consegue ter seu espaço no mercado de jogos devido à mobilidade. O Game&Watch (que aqui era popular com minigame) foi o estopim para o Game Boy e seus sucessores até chegar no híbrido Switch, que pode ser um videogame portátil e de mesa ao mesmo tempo. Seria impossível crescer um jardim onde apenas da simpatia de Mario, Zelda e Picachu, num mundo onde Sony e Microsoft fazem sombra o dia todo.

O Steam Machine morreu pois não conseguiu concorrer com os dois gigantes. Assim, vai apostar no mesmo caminho que a Nintendo e com a vantagem de ter uma biblioteca gigantesca, com inúmeras opções gratuitas ou com valores ínfimos. Uma vantagem interessante diante dos preços nada modestos que a Nintendo cobra por seus games.

O problema é que o Steam Deck é caro. A versão de 64GB parte de US$ 399 (R$ 2,1 mil), enquanto as versões de 256GB e 512GB saltam para US$ 529 (R$ 2,7 mil) e US$ 659 (R$ 3,4 mil). Nos Estados Unidos, o PS5 parte dos US$ 400 e um Xbox Series X custa US$ 500. E para piorar, os dois consoles oferecem mais volume de armazenamento: 825GB no Sony e 1TB no Microsoft.

E se o argumento for a mobilidade, o Nintendo Switch parte de US$ 200 (R$ 1.050), na versão Lite (apenas portátil) e US$ 300 (R$ 1.570) na versão híbrida, com dock para conexão com televisor e joysticks destacáveis.

Tudo isso coloca mais uma vez a Valve numa sinuca de bico. O Steam Machine não vingou pois custava o mesmo que um Xbox One e PS4. Agora o Steam Deck chega mais caro que Switch e versões que vão além de PS5 e Xbox Series X. Apesar do poder de compra maior que o nosso, o norte-americano não aceita disparidades de preço com tanta passividade como a gente.

Por aqui é muito difícil que a Valve faça uma distribuição oficial. Mas a julgar pelo valores médios de PS5 e Xbox Series X, na casa dos R$ 7 mil), não seria surpresa ver o portátil beirar os R$ 10 mil, via importação independente.

Será que agora vai, ou vai virar vapor mais uma vez?


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