Lost in Random mistura Tim Burton e Giramundo

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Marcelo Jabulas | @mjabulas – Para falar de “Lost in Random” é preciso falar do gênero Hack and Slash (combate corpo a corpo). Esse modelo teve seu apogeu nos anos 2000, com produções como “Devil May Cry” e “God of War”. Depois, incontáveis franquias, como “Castlevania” e “Ninja Gaiden” , ganharam representantes nesse estilo que combina visão em terceira pessoa e cenários 3D.

Mas o que há de comum nesses games são o excesso de violência e um protagonismo predominantemente masculino. Dante, Kratos e Gabriel Belmont são alguns desses caras cascudos. E eis que em 2021 surge “Lost in Random”, que subverte toda essa lógica. Apesar de ser classificado apenas como Action-Adventure, não há como negar os elementos de Hack and Slash na forma de jogar.

A Saga de Even

Produzido pela Zoink e distribuído pela EA Originals, o game gira em torno de Even. Ela é uma menina que inicia uma jornada para resgatar sua irmã Odds, levada pela rainha que controla a região. Com uma estética que remete às criações caricatas e estranhas do cineasta Tim Burton, assim como os bonecos do grupo Giramundo, com uma pitada de “Alice no País das Maravilhas”.

A história emerge num reino dividido em seis cidades. Cada cidade representa um lado de um dado. O cubo é um elemento fundamental na história, como as cartas de baralho, na obra-prima Lewis Carroll.

No game, toda criança que completa 12 anos é visitada pela rainha e precisa joga-lo. O resultado indicará onde essa criança passará o resto de sua vida. Odds tirou seis e foi levada pela rainha. Mas Even não se conforma e inicia sua jornada épica em busca de sua irmã.

LOST IN RANDOM

Visual de Lost in Random

A trama do jogo é guiada por um narrador, como se estivesse lendo um livro. E o visual do game parece uma ilustração de livro infantil. Mas há elementos caricatos e criaturas estranhas.

A cidade de Even tem casas em forma de bule e outras quinquilharias, que remete a história de Alice, mas sem se explícito. De acordo com o narrador, a modesta vila fora construída com lixo que caía dos navios. Assim, a estética intrigante e a “leitura da história” mantém o jogador preso ao game.

LOST IN RANDOM

Dizer que as criaturas caricatas, de caras largas são uma releitura direta dos bonecos de Álvaro Apocalypse pode soar um bairrismo mineiro. Mas quem já visitou o Instituto Museu Giramundo, no bairro Colégio Batista, em Belo Horizonte, irá identificar identificar o padrão estético.

Jogabilidade

No game, Even tem a companhia de Dicey, um dado com pernas e braços que auxilia a protagonista na exploração dos cenários e nos combates. Esse carinha lembra o hilário robô Claptrap de “Borderlands”.

LOST IN RANDOM

Dicey é fundamental para recolher pedras de poder durante as lutas. Ele também auxilia no acesso a chaves e entregar as armas mágicas para Even.

A lógica de combate é interessante. Dentro de Dicey há cartas que materializam os poderes. Para ativar os poderes é preciso recolher cristais. Estes ficam nos corpos dos inimigos.

LOST IN RANDOM

Para isso, Even precisa utilizar seu estilingue. Cada pedra atingida deve ser recolhida e convertida em energia. Quando a energia é completada, é possível criar temporariamente espadas, lanças, bombas e pontos de saúde.

Palavra final

“Lost in Random” estreia como uma releitura para um estilo que se perdeu por não inovar. Ao adicionar um enredo literário, com elementos fantasiosos e personagens caricatos, como num livro infantil, ela tira o foco do combate e transfere para a história.

Além disso, Even foge totalmente ao estereótipo do protagonista de um game que utiliza elementos Hack and Slash. Trata-se de uma bela produção, que consegue utilizar uma receita antiga para construir um ótimo jogo.

O game tem versões para PC, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X/S e Nintendo Switch. Seus preços partem de R$ 150.


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