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Review: O que fizeram com Godzilla

Marcelo Iglesias

O sucesso de produções como Splatter House e Dark Souls II elevaram a percepção do público sobre a Bandai Namco, assim como Uncharted fez para a Naughty Dog e Mass Effect pela Bioware. O efeito da visibilidade positiva gera dividendos e, consequentemente, maior cobrança do público. Talvez o segundo fator é o que faz de Godzilla um banho de água fria. O game acabou de chegar ao mercado ocidental para PlayStation 4 e PS3 e faz sorte da celebração dos 60 anos da criação do monstro japonês. Se Godzilla fosse de verdade, certamente iria até pisotear o escritório da Bandai Namco.

No ano passado o game tinha sido publicado na Terra do Sol Nascente, apenas para PS3. O título acompanhava o longa-metragem que marcava as bodas de diamante de “Gojira”, primeiro filme em que Godzilla dava as caras. Mas com o port para o PS4, os produtores decidiram que o game deveria ser distribuído no mercado global. Godzilla está longe de ser um game bonito. A ideia de um jogo em que um monstro de 50 metros passeia destruindo tudo o que vê num grande mapa com giro de câmera em 360 graus seria o máximo em 1995, quando o PSOne foi publicado. Mas hoje não é suficiente para arrancar aplausos.

Graficamente o game é quase tosco e faltou refinamento no acabamento. E pelo fato de o herói (ou anti-herói) ser bicho do tamanho de um prédio de quase 20 andares, seu deslocamento é lento e seus comandos são imprecisos. Por outro lado, a reprodução fiel do monstrengo, tal qual sua concepção na década de 1950, dá charme e carisma ao protagonista. Esse fator é muito legal, já que Godzilla tem exatamente a silhueta gorda da fantasia que pisava sobre prédios de papelão e isopor diante das câmeras em branco e preto.

O monstrão inicia sua jornada como uma ameaça à humanidade. Sua existência é explicada como fruto de experiências radioativas. O problema é que, além de Godzilla, surgem outras aberrações titânicas ainda mais brutais e o lagartão acaba fazendo o papel de mocinho. Para fugir da ideia de apenas ser um calango gigante abanando o rabo sobre Tóquio, já que a maioria das fases são repetitivas, o game oferece uma variedade de opções, além da campanha. Inclusive duelos entre seres gigantes, como em todo bom enlatado japonês.

Um ponto bacana do game é que ele consegue anexar a carga dramática das produções nipônicas, com diálogos caricatos que chegam a ser inocentes perto dos discursos existencialistas de uma boa parte dos jogos sisudos da atualidade.

Godzilla tem preço sugerido de R$ 229 para PS4 e R$ 199 para PS3. Nos dois casos são preços caros para um game de pretensões tão limitadas. Por outro lado, pode ser uma pedida adequada para quem busca um game para os pequenos, ainda sem padrão de exigência elevado, mas livre de violência explícita. Sinceramente, faltam argumentos para torrar essa grana toda em Godzilla, a menos que o gamer seja um fã ferrenho da cultura pop japonesa.

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