PS4 desbloqueado: Quem se dá bem é só o trambiqueiro!

Sony apresenta PS4 Pro e PS4 Slim no PlayStation Meeting

Marcelo “Jabulas” Iglesias | Redação GameCoin – Quem acompanha o noticiário da indústria de games já sabe que chegou ao Brasil um método de destrava do PlayStation 4. Em tese, a técnica recorre a acoplagem de um mini PC Raspbarry Pi (o mesmo utilizado para a montagem daqueles mini consoles que rodam emuladores de consoles antigos) junto ao PS4. Daí é feita uma clonagem de um aparelho (não é compartilhamento de conta), com direito a reprogramação de BIOS e demais propriedades técnicas que no final das contas permite aos “técnicos” adicionarem um monte de games ao preço médio de R$ 400. No Mercado Livre é possível até comprar um PS4 manipulado e com um monte de jogos já instalados por cerca de R$ 3.800.

A Sony ainda não sabe como resolver o problema e há cerca de 10 dias iniciou uma ofensiva para tentar localizar e remover conteúdos que ensinam a fazer a tramoia, que teria surgido na Rússia. Com o PS3, a farra do desbloqueio teve vida curta e muitas contas foram banidas. Acontece é que relatos têm mostrado que até o momento os PS4 desbloqueados têm funcionado normalmente, inclusive em partidas multiplayer e até mesmo permitindo atualizações.

Exemplos passados mostram que o trambique, que parecer ser um grande barato, compromete todo o mercado. A Nintendo deixou o país por não conseguir competir com o mercado pirata. A própria Sony demorou para comercializar formalmente o PS2 no Brasil devido a facilidade de desbloquear o console com o famoso chip Matrix.

A Microsoft, apesar de ter vendido muito bem o Xbox 360, justamente por permitir reprogramação de seu firmware, também foi impactada na venda de jogos originais. E quem tem boa memória vai se lembrar que os jogos X360 eram mais caros que os do PS3 justamente pela menor demanda. A possibilidade de rodar jogos pirateados e os prejuízos com a revenda de jogos usados fez com que a Microsoft anunciasse um sistema de cadastro de mídias físicas dos jogos do Xbox One para que cada jogo rodasse apenas em um aparelho. A medida não foi para frente, mas serviços como o PS Now e Xbox Game Pass é um recurso que a médio prazo irá limitar a manipulação dos jogos, mantendo-os restritos aos serviços de streaming.

O custo da maracutaia

Vale a pena desbloquear um PS4 ou comprá-lo destravado? Atualmente é possível comprar o console por R$ 1.200. Um game pode custar de R$ 20 a R$ 350. No mercado paralelo o aparelho debloqueado custa R$ 3,8 mil, mais que o triplo do console original. A destrava custa cerca de R$ 400. Considerando que o serviço de assinatura PS Plus é obrigatório para quem joga on-line e oferece promoções semanais, é possível montar um biblioteca sem pagar preço de lançamento. E sejamos sinceros, ninguém compra todos os lançamentos de uma vez. Daí, faça a sua conta e chegue na conclusão que lhe convém.

PS4 Desbloqueado e os efeitos colaterais

No entanto, com a queda da demanda, em função da pirataria, a tendência é que promoções sejam menores e os preços de mídias físicas aumentem para compensar a queda de volume. Isso sem contar com a possibilidade de surgir uma atualização que bloqueie o trambique. O espertão realmente acredita que uma das maiores empresas de eletrônicos do mundo ficará de braços cruzados, vendo uma de suas linha de negócio escorrer pelo ralo? Aí, o sujeito que pagou pela trapaça ficará no prejuízo.

Ou seja, quem sai ganhando com a picaretagem são os trambiqueiros que fazem a tramoia, que faturam R$ 400 do espertão que se dispõe a pagar pelo serviço e aqueles que cobram quase R$ 4 mil por um aparelho destravado. Por ironia do destino é quase o preço que a própria Sony cobrava em dezembro de 2013 quando lançou seu console no Brasil. Agora pagar essa grana toda é legal?

No entanto, a questão é que esse tipo de conduta é ilegal. Pirataria é crime e pode dar cadeia. Mas é muito difícil que alguém receba a visita da polícia porque seu PS4 roda jogos piratas. Se isso acontecesse mais da metade da população estaria em cana por rodar cópias piratas do Windows. Mesmo assim, é uma questão de ética. E se a todos nós nos indignamos com as incontáveis matérias sobre corrupção, é no mínimo hipócrita abrir uma exceção para ter um PS4 ou qualquer outro aparelho pirata na sala de TV. Depois não reclame do pedalinho, dinheiro na mala, na cueca ou a cocaína no helicóptero!

E vida que segue!

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