Oldies – Battletoads e o nível extremo da maldade (com o jogador)

Marcelo “Jabulas” Iglesias | Redação GameCoin – Muita gente ouviu falar, mas poucos foram os bravos que finalizaram Battletoads. O sádico game da Rare chegou em 1991 para NES e Mega Drive e colocava o jogador na pele de sapos guerreiros que precisavam combater uma tirana sexy, que se chamava Dark Queen, que sequestrou um dos sapos (Pimple) e a princesa Angelica no planeta Ragnarok. Apesar da história clichê, é um dos jogos mais difíceis de todos os tempos.

Me lembro com boa memória de quando o game foi publicado para o NES. Rapidamente ele ganhou um artigo numa revista da época. Era a Videogame, se não me engano. Nela vinham diversas pequenas fotos de cenas do game e tentava explicar o que fazer em cada fase. Jogar Battletoads se tornou uma meta. Na locadora de jogos do bairro, o game era disputado e só ficou fácil de locá-lo quando começaram a chegar os primeiros cartuchos de Super Nintendo e a galera iniciou o processo de migração de consoles.

Battletoads é um genuíno Beat ‘em Up, um jogo de pancadaria irrepreensível, mas vai além. Ao contrário de games do gênero, as atribuições do jogador não se resumia apenas em distribuir porradas nos inimigos que brotavam pelas fases. Battletoads tem uma dinâmica de jogabilidade bastante variada, com fases dificílimas como a do rapel e a Turbo Tunnel (a da moto voadora) que ceifava vidas de forma impiedosa. Basicamente são estágios de pilotagem, verticais, além de algumas de deslocamento irregular, mas repletos de obstáculos mortais.

Bugs do NES

Se não bastasse, a versão para NES era ainda mais cruel, pois haviam varias falhas de cenário. Muitas vezes o jogador saltava no que acreditava ser o chão, mas despencava num fosso mortal. Além disso, haviam imprecisões de controles e atrasos de comandos que volta e meia traiam o jogador.

No Mega Drive (de onde retiramos as imagens deste artigos), essas falhas foram minimizadas, mas o game seguia tão difícil como no NES. A primeira fase do jogo pode parecer simples. Basta surrar os ratos e alguns robôs, além de enfrentar um chefe de fase relativamente simples. Na segunda fase, a do rapel, o jogador precisa descer a até o subterrâneo de Ragnarok. Na descida surgem aves que cortam a corda e outras ameaças que exigem agilidade.

No entanto, essa fase é um dos melhores pontos para se acumular vidas extras. Além do ganho automático a cada 100 mil pontos, o jogador consegue prender os inimigos nos paredes do túnel e aplicar uma sequência de golpes que multiplicam os pontos até culminar numa nova vida extra. Mesmo que o marcador de vidas exiba só quatro, é possível acumular bem mais. E vá por mim… Você irá precisar de muitas vidas para dominar o terceiro estágio, Turbo Tunnel.

Nessa fase, que é considerada como uma das mais difíceis do game (este que por sua vez é apontado como um dos jogos mais difíceis da história) é preciso vencer diversos obstáculos como barreiras, buracos e inimigos que vão surgindo pelo caminho. Apesar dos checkpoints, e continues, muitas vezes o jogo terminava ali. Pelo menos para mim, foram muitas tentativas até conseguir chegar no segundo mapa do jogo.

Geralmente, quando se vence o Turbo Tunnel, o jogador chega na quarta fase (a do gelo) todo despedaçado e logo no início. se não ficar esperto, ele toma uma estalactite na cabeça, que pode ser apenas um dano, uma vida a menos ou fim de jogo. Battletoads ainda tem outras fases maldosas, com a do surfe, que segue padrão semelhante ao Turbo Tunnel, a das cobras, em que o jogador precisa subir pelo cenário usando as serpentes como plataforma, uma segunda fase de nave com obstáculos verticais.

A penúltima fase era impiedosa. O jogador tinha que se dependurar numa espécie de tirolesa que cruzava a fase em várias direções e repleta de obstáculos, até o que o jogador finalmente se deparasse com a Dark Queen.

Insiprações de Battletoads

Battletoads foi desenvolvido no embalo de Teenage Mutant Ninja Turtles (As Tartarugas Ninja) que fazia um tremendo sucesso naquela época. Verdes, anfíbios, bons de briga e chefiados pelo professor T.Bird, eles eram uma cópia deslavadas dos pupilos do Mestre Splinter, mas ao invés de quebrar tudo pelas ruas de Nova York, a cuíca ronca no planeta Ragnarok.

Battletoads é um daqueles jogos que precisam ser experimentados uma vez na vida. É o tipo de jogo que separa os meninos dos homens. Vencer o Turbo Tunnel já é uma vitória para qualquer gamer que se disponha a enfrentar o game sem nenhum tipo de artifício facilitador. Derrotar Dark Queen certamente é uma daquelas glórias que você sempre poderá bater no peito numa rodinha marota de marmanjos nostálgicos.

Encontrar o game em cartucho demanda procura e dinheiro. No Mercado Livre é possível encontrar cartuchos em bom estado de conservação com preços que podem superar os R$ 200 para NES e cerca de R$ 150 no Mega Drive. Quem não tiver um console em casa e nem disposição para torrar tanta grana num game antigo pode apelar para um emulador. As duas versões são encontradas com facilidade em sites como Emu Paradise.

Battletoads também ganhou edições para Game Boy e Super Nintendo, mas isso é conversa para outro dia!

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