Nolan Bushnell: conversamos com o pai do Atari

Marcelo “Jabulas” Iglesias | Redação GameCoin – Um senhor septuagenário trajando blazer preto, calça jeans, barba e cabelo desgrenhados e um par de tênis vermelhos com LEDs em um palco diante de uma plateia jovem pulsante de ideias, testosterona e olhos vidrados naquele homem. Sem o auxílio do Google, o nome Nolan Bushnell não significa nada para grande maioria das pessoas. Mas este senhor quase 1,90 metro mudou a vida de todo o mundo há 40 anos.

Bushnell foi o criador do primeiro videogame comercial da história. O Pong, uma espécie de ping-pong em que duas barras rebatiam uma “bolinha quadrada”. Ele esteve em Belo Horizonte, para palestrar durante a Campus Party, onde falou sobre inovação e claro sobre o Atari 2600, sua principal criação e que definiu o modelo de games eletrônicos caseiros que persiste até hoje.

Durante sua apresentação, Bushnell deu dicas importantes para as carreiras dos jovens (alguns nem tão jovens). “Quando alguém disser que sua ideia é louca, não desista. Pois são as ideias loucas que revolucionarão o mercado amanhã”, palavras de quem inventou uma segunda utilidade para os televisores.

O Atari 2600 em si era algo extremamente ousado, para não dizer maluco. Pois até então cada console tinha um único jogo gravado. A ideia de fracionar o aparelho, separando o jogo do restante do console e dai conseguir trocar jogos era tão intrigante, que só foi possível porque o inventor vendeu a Atari para Warner, que tinha capital suficiente para colocar o aparelho no mercado.

Bushnell e o futuro

Sobre o futuro dos games, o engenheiro prevê um crescimento nos jogos que utilizam tecnologia de realidade virtual (VR). “Plataformas como consoles e mobile seguirão fortes, mas games VR terão uma grande ascensão num futuro próximo”, explica. O engenheiro trabalha num projeto de uma versão de Pong VR. A engenhoca utiliza uma central, quatro projetores e um óculos para criar a sensação de a bolinha quadrada é real.

No entanto é o e-Sport (games com foco em competição em rede) que será a forma que a indústria fará dinheiro. “Hoje transmissões de campeonatos de games têm uma audiência maior que as transmissões de futebol no Brasil e Europa juntos”, aponta Bushnell.

Para ele o desenvolvimento de jogos ficou muito mais fácil, mas nem sempre tão apaixonante como antes. “Temos auxílios de softwares que eram impensáveis na minha época.No entanto, vemos produções que oferecem bons gráficos, bom som, mas sem consistência”.

Por ser o “pai” do videogame, Bushnell naturalmente ainda joga videogame. Ele se dedica um bom tempo a jogos mobile, mas não esconde que seu game favorito é a versão de Xbox de Just Dance. “Adoro juntar eu e meus filhos para fazer os passos do tema de ‘Ghostbusters’”, e completa “Do you gonna call?”

Sem remorso

O inventor do Atari nunca escondeu que vendeu a companhia para Warner a contragosto. E também sabe que o que quebrou a empresa foi a insistência dos executivos da gigante do entretenimento em não investir na inovação da plataforma.

Diante disso, perguntei o que lhe doia mais: Ter vendido a Atari ou recusado a proposta do jovem Steve Jobs para que ele investisse US$ 50 mil na companhia que hoje é Apple. Ele devolveu sem mudar o semblante: “Nunca leve a sua vida olhando pelo espelho”, respondeu com sabedoria que só a idade oferece.

 

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