Meus 25 anos com Street Fighter II

Marcelo Jabulas | Redação GameCoin – Neste sábado de Carnaval (6 de fevereiro), Street Fighter II completa 25 anos de seu lançamento. Depois de um título pouco atrativo, de 1987, a Capcom demorou para lançar o segundo episódio da série. No dia 6 de fevereiro de 1991, Street Fighter II consolidou o modelo de jogos de luta para fliperamas. Com uma ampla opção de personagens, bonecos grandões, combinações de movimentos, golpes especiais e uma série de outros atributos que formataram um estilo que se nega a desaparecer mesmo depois do surgimento dos jogos em 3D, e títulos de modalidades esportivas como MMA e boxe.

Não há como falar de Street Fighter II sem ser em primeira pessoa. Lembro-me com se fosse ontem a primeira vez que vi aquela máquina maravilhosa, num buteco sujo na rua Olinda, com Bogari, na Zona Oeste de Belo Horizonte. Foi num dia qualquer de 1991, quando eu tinha 12 anos. A notícia de que havia uma máquina de fliperama no bairro deixou a molecada eufórica. Lembro de ter feito um garimpo de moedas pelos potinhos, criados mudos e outras “minas” de moedas e cruzei ofegante a avenida Amazonas com uma mão cheia de amigos, entre eles Thiagão, Macu, Juninho, Beto, Xupeldis, Leandro e outros companheiros da Alves Martins.

Quando cheguei naquele muquifo de esquina vi uma aglomeração de moleques em torno da máquina. Ao lado tinha uma com Final Fight (outra paixão antiga), a qual torrei algumas moedas para me divertir enquanto o restante da galera se engalfinhava no aparelho com Street. Depois de assistir Code tomar uma surra para o Andore Jr. (quem jogou sabe do que estou falando, quem não sabe, aconselho se informar), vagou um espaço para que eu pudesse ter meu primeiro contato com Street Fighter II. Coloquei a ficha, apertei “Start” e me deparei com oito personagens: Ryu, Ken, E. Honda, Zangief, Blanka, Chun-Li, Guile e Dhalsim.

Os moleques que ficavam na boca da espera para pegar um round, aconselharam escolher Ryu, pois seu golpe era o mais fácil de aplicar. Na verdade, eles queiram dizer que mandar o “Hadouken” era mais fácil que as demais combinações de especiais. Ouvi o conselho e selecionei Ryu. A primeira batalha foi contra E. Honda, o lutador do sumô que soltava o famoso “Rui-Rui”: ele voava de cabeça contra o oponente. Sem dominar os comando, o gordão me destroçou no primeiro round, principalmente quando tentava pular chutando e ele dava aquele esfrega de braço.

No segundo round, compreendi o ensinamento da molecada: para baixo, para frente e soco forte. Era o meu primeiro de milhares de “aduguens” (Hadukens). Mas o desempenho no terceiro round foi pífio e sai do jogo, tendo que voltar para o final da fila numa segunda tentativa.

Daquele dia em diante Street Figheter II se tornou uma obsessão. Brotaram casas improvisadas de fliperamas em Belo Horizonte. Qualquer porta de loja com uma aglomeração de moleques de bonés da NBA era indício de havia uma máquina de Street Fighter II. Torrei muitos trocados, ganhos lavando o carro da família, carregando compras das senhorinhas da rua, revirando os cantos da casa, guardando o troco da padaria e outras formas de sustentar meu vício por “aduguens”, “roriuguis”, “giletes” e yoga fires.

Seu Jura

Com o passar dos meses, jogar Street Fighter II nas bitacas de bairro se tornou arriscado. Isto porque as máquinas atraíam não só a garotada, mas também os vagabundos integrantes de turma de pichadores, que, na melhor das hipóteses determinavam que você deveria ceder um round para eles. Mas não era raro, a meninada perder um boné, ou qualquer outra quinquilharia de valor para os Tough Guys da periferia.

Para jogar Street numa boa, a melhor opção eram os fliperamas do Centro, que apesar dos pivetes e mendigos de olho nas Samsonites dos office-boys, lá dentro ninguém te “intimava”. Mas para jogar lá era complicado. Tinha que pegar ônibus, o dinheiro das passagens comprometiam o volume de fichas.

No entanto, o alento veio com a publicação do game para Super Nintendo, em 1992. Salvação em parte! Ninguém na rua tinha um Super NES em casa, nem mesmo os meninos mais abastados. A salvação, pelo menos no glorioso bairro da Gameleira, se chamava Start Game, uma locadora de jogos na rua Junquilhos, onde trabalhava o folclórico seu Jura (Juraci, um senhor aposentado pai do proprietário, o Alexandre). Na locadora do seu Jura tinha alguns consoles de Mega Drive, NES e um Super Famicom (versão japonesa do SNES) e uma única, exclusiva e caríssima cópia de Street Fighter II, que alguém muito, mas muito poderoso importou do Japão.

Como se alugava por meia hora, a fita era proibida para locação externa, pois era a galinha dos ovos de ouro. Segundo o seu Jura, o game tinha custado US$ 200, que equivalia uma fortuna incalculável em cruzeiros (CR$). Mas era a glória, esperávamos duas, três horas para jogar Street nos diminutos televisores de 14 polegadas.

Quando o game ganhou edição para Nintendinho, conseguimos levar o jogo para casa, mas com apenas quatro personagens, comandos bizarros e gráficos deploráveis não deu para jogar mais que 20 minutos. Daí para frente são duas décadas de relação intensa, aulas perdidas, provas zeradas, diversas versões, edições remasterizadas, emuladores, ROMs, SFII no celular, no PlayStation, no PS3, no Mega Drive, em tudo quanto é console que não me deixam esquecer aquela máquina maravilhosa na rua Olinda.

Vida longa a Street Fighter II!

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