Gran Turismo Sport não é mais como era antigamente

Marcelo “Jabulas” Iglesias | Redação GameCoin – Publicado em 1997, Gran Turismo foi o game que preencheu o hiato entre os games de corrida “arcade” e simuladores de computador. De lá para cá, a franquia teve outros cinco títulos, que atravessaram as gerações PS2 e PS3. A estreia no PS4 aconteceu há menos de um mês com Gran Turismo Sport (leia o teste da versão beta), sétimo jogo da série criada pelo designer e piloto, Kazunori Yamauchi, que surge como um dos games de corridas mais bonitos da atualidade, beirando o realismo.

Meu primeiro contado foi há quase 20 anos e desde então joguei todas as edições. Umas mais, outras menos, mas garanto que consegui explorar quase tudo que GT1, GT4, GT5 e GT6 oferecem. Mas GT Sport foi um banho de água fria.

O título era uma grande promessa, mas o resultado foi bem aquém do esperado. A série sempre foi famosa por sua imensa garagem, que chegou a 1.200 unidades em Gran Turismo 6. Agora são apenas 168 automóveis, todos de alto desempenho, sejam de competição ou esportivos. Ou seja, aquele lance legal de comprar um carrinho fuleiro e ir melhorando ele aos poucos desapareceu. Se o jogador não tiver grana, pode arrendar um superesportivo ou carro de competição.

Mas o que incomodou boa parte dos jogadores (e eu faço parte desse coro) é que a estrutura do jogo foi totalmente desconstruída. A série tinha um sistema de progressão que demandava que o jogador começava sua carreira com o mínimo de recursos. O sujeito comprava um carro usado, apostava pequenas corridas e utilizava os créditos para investir em melhorias.

Além disso, o jogador avançava nas competições de acordo com o nível de habilitação. Isso mesmo, em Gran Turismo sempre foi preciso passar por exames de direção para graduar em categorias mais avançadas.

Virada de chave

Em GT Sport tudo isso desaparece. O game deixa de apostar na relação entre jogador e máquina, para se tornar um game com foto total no eSport. Ou seja, oferecer todos os recursos para os jogadores e cada um que os ajuste da melhor maneira para ser mais competitivo na pista.

Basicamente o game é composto por corridas disponibilizadas por uma central de provas. O jogador pode se inscrever para disputar as partidas, mas elas tem hora marcada para acontecer. É um tanto enfadonho ter que esperar alguns para poder correr.

A medida em que jogador participa das corridas, ele recebe créditos para comprar novos carros. No entanto, não é preciso mais investir em peças. O jogador pode fazer os ajustes da forma que quiser.

Gentleman Driver…

Ou Dick Vigarista? O game tem um sistema de classificação dos jogadores, por habilidade e comportamento na pista. Esses dois parâmetros definem os grupos que disputaram as provas. Daí, se o jogador se comportar como um cavalheiro será pontuado para correr com outros que também são educados. Mas caso se porte como o mentor de Muttley, correrá apenas com os vândalos do jogo. O mesmo vale para o nível pilotagem, que é avaliado a cada corrida.

Burocracia

Outra ponto que incomoda é que o game é extremamente burocrático. Para começar é preciso estar conectado em tempo integral. Se em GT6 a conexão era exigida apenas para o jogador receber os bônus diários, para participar dos desafios sazonais e correr contra outros jogadores, em GT Sport tudo depende de conexão. Caso ela caia, ou você não tenha feito a última atualização, o jogador poderá jogar apenas em corridas simples ou provas de tempo. Nem comprar um carro, ou modificar a pintura é possível sem internet.

Para ter acesso às pistas, mesmo que se jogue sozinho, é preciso acumular pontos que dão acesso a conteúdos. Para isso é preciso passar pelas graduações da escola de pilotagem. Esta que por sua vez que também demanda conexão permanente. Assim, num primeiro momento, o jogador não tem praticamente nenhum circuito disponível, como se jogasse uma versão demo. Ou seja, aquela volta em Interlagos (pois há o circuito no game) não será sua primeira experiência.

Gráficos

Um dos pontos fortes do game são seus gráficos. O pessoal da Polyphony Digital sempre foi muito criteriosa com o visual do game. As imagens beiram o fotorrealismo, ainda mais se o jogador tiver um aparelho com função HDR. No PS4 Pro conectado a um televisor 4K a qualidade é assustadora.

No entanto, o game não conta com variação de clima e nem tempo dinâmicos. Ou seja, o jogador escolhe a hora e a condição climática antes da corrida e ela se mantém até o final.

O game também oferece recursos como ferramenta de modificação visual, que ficou mais refinada, é possível aplicar adesivos, adquirir rodas e componentes estéticos para deixar o carro mais invocado.

Outra ferramenta que faz sucesso em games de corrida é a máquina fotográfica. Em GT Sport, o recurso ficou mais sofisticado e o jogador tem todos os ajustes de um equipamento de fotografia, sendo possível fazer balanço do branco, fotometrar, ajustar foco, abertura do obturador, tempo de exposição e demais recursos que, inclusive ajudam a entender a dinâmica da arte da fotografia.

Mas sejamos sinceros, ninguém compra um game de corrida para fazer fotos! Mesmo que a gente perca horas brincando de enfeitar os carangos e fazer algumas saídas de traseira para ficar bonito na foto!

Jogabilidade

Já a condução dos carros ficou mais realista, mas ainda não oferece a física de um simulador. O jogador pode habilitar assistentes de direção, freio, controles de tração e estabilidade para tornar a pilotagem mais fácil. O jogador também pode ajustar o joystick da maneira que achar melhor, sem comandos engessados como nas edições passadas. Mas para se ter uma experiência realmente legal, é preciso ter um volante e pedaleira.

Veredito

No final das contas, Gran Turismo deu uma banana para o modelo que criou há 20 anos, o game ficou mais burocrático, mais arrastado, preso às regras de um formato para eSport. Para quem gosta de correr, principalmente em rede, é uma boa opção, mas a ausência de uma campanha solo coloca GT Sport numa condição semelhante à de Street Fighter V, em que era fundamental ter alguém por trás do televisor para que a partida fosse possível. Daí fica a dica, se o amigo tem um PS3 e cópias de GT6 ou GT5, não se desfaça deles!

Mini ficha GameCoin:
Gran Turismo Sport

Estilo: Corrida
Estúdio: Polyphony Digital
Distribuidora: Sony Interactive Entertainment
Modo On-line: Sim
Idioma: Legendas e menus em Português
Disponível: PS4
Preço Médio: R$ 200

E quanto vale o show?
Proposta:
2
Gráficos: 4
Jogabilidade: 3
Desafio: 3
Custo/Benefício: 3
TOTAL: 3 moedinhas

Tabela GameCoin de classificação
5 moedinhas:
Excelente
4 moedinhas: Muito bom
3 moedinhas: Bom
2 moedinhas: Ruim
1 moedinha: Péssimo

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