E3 para elas

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Produções com protagonistas mulheres ganham força na E3

Marcelo “Jabulas” | Redação GameCoin – Certamente antes de chegar até aqui você já tinha lido e assistido um monte sobre as novidades da E3, correto? Eu também passei um tempão assistindo e lendo sobre tudo que foi mostrado da feira californiana, mas pensando no principal mote da E3 2018. E a verdade é que a E3 é delas. Isso mesmo, protagonistas mulheres ganharam força nas apresentações do Los Angeles Convention Center, tapando a boca de quem anda condenando a inclusão de personagens femininas em papeis de destaque nos games.




Só para reativar a memória, há cerca de duas semanas a publicação do trailer de Battlefield 5, em que a uma mulher estampa a capa e também é uma das protagonistas da trama, provocou um verdadeiro terremoto nas redes sociais, fóruns internet afora. Muitos criticaram a produção por não ser fiel à história, sob a alegação errônea de que mulheres não lutaram nas linhas de frente da Segunda Guerra Mundial.

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Outros criticaram que se tratava de uma estratégia de marketing para passar uma imagem amigável diante do sexo (que há muito deixou de ser) frágil. E também não faltaram comentários machistas e preconceituosos em relação à personagem e a postura da produtora. A reação foi tamanha que o vídeo foi negativado milhares de vezes, sempre sob a desculpa de “não ser fiel aos fatos históricos”. Mas quem torceu o nariz para BF5 também terá que torcer o nariz para boa parte do que foi mostrado na E3 ou se recolher em sua ignorância e engolir calado.

Isso porque na feira de Los Angeles não faltaram games em que personagens mulheres assumiram o protagonismo dos games. Além de Shadow of Tomb Rider (que foi uma das franquias pioneiras em ter uma mulher como personagem principal, na década de 1990), produções como Gears of War 5, Assassin’s Creed Odyssey e Wolfenstein Young Blood colocam mulheres a frente das produções.

Negócios são negócios

E existe uma razão que vai muito além de uma evolução sociológica em reconhecer que qualquer sexo ou identidade de gênero merecem o mesmo tipo de respeito e valor. Mas fato é que as mulheres se tornaram a maioria entre os jogadores ao redor do mundo, há pelo menos quatro anos. Nos Estados Unidos, segundo o site Statista, as garotas correspondem a 45% dos jogadores por lá.

Claro que a grande maioria delas são consumidoras de games mobile. E em menor escala em jogos hardcore para consoles e computadores. No entanto, o próprio Statista aponta que em 2020, lá nos Estados Unidos, o público que joga em telefones será de 213 milhões de habitantes.

Ou seja, um Brasil inteiro mordendo a língua e esfregando a tela do celular. E nesse universo, grande parte e composta por mulheres. Elas, que assim como qualquer outro homem, gostam de jogos, mas nem sempre migram para os consoles ou PC’s por falta de opções amigáveis ou que as façam se interessar pela trama.

Filão de mercado

E é aí que a indústria tem enxergado um novo filão.Um nicho aberto há mais de 20 anos, com Tomb Raider, mas que pouco tem sido explorado. A série protagonizada por Lara Croft teve seus altos e baixos, mas os dois últimos episódios, que iniciaram o reinício da franquia: Tomb Raider e Rise of Tomb Raider tiveram excelente repercussão, assim como Shadow of Tomb Raider figura como uma das grandes produções do ano.

Produções da Naughty Dog como The Last of Us e Uncharted: Lost Legacy, tal como Alien Isolation (Creative Assembly), são exemplos de uma tendência que irá ganhar força e não dará ouvidos aos faniquitos dos machões. Claro que no universo de produções em andamento, o volume meninas no comando ainda é pequeno. Mas elas estão ganhando espaço, com games como Horizon Zero Dawn ou Hellblade: Senua’s Sacrifice e Resident Evil Revelations 2

E chama a atenção é que elas estão ganhando espaço em franquias de peso, produções AAA. Assim, ao tirar Marcus Fênix e B.J. Blazkowicz de cena para dar espaço para duas jovens é uma forma de atrair a jogadora do celular para um novo ambiente, num contexto em que ela irá se identificar.

E isso certamente renderá muito para as produtoras. Afinal, os estúdios e distribuidoras precisam expandir seu público para custear produções cada vez mais dispendiosas, sem se importar se o jogador tem ou não esmalte na unhas. O que não se pode aceitar é um comportamento machista, com a intensão de rotular e desqualificar essas produções. 

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