Dave-Man mistura Pac-Man com “causos” reais

Dave-Man, game independente para PC e Mac

Marcelo Jabulas | @mjabulas – Em um ano em já conferimos produções como Resident Evil 3, Nioh 2, Ghost of Tsushima e The Last of Us – Part II, um game independente, monocromático, pode parecer um grão de areia no oceano dos videogames (ou seria um grão de café?). Principalmente quando seus gráficos remetem às produções dos primórdios dos games. Se dissermos que ele é vendido a R$ 6 no Steam, e foi feito por uma única pessoa, há uma grande chance do amigo não ir ao parágrafo seguinte. Mas convém continuar.

Dave-Man acaba de ser lançado para Windows e Mac OS e pode parecer uma produção despretensiosa, mas trata-se de um excelente game, que em sua simplicidade, se mostra como uma metáfora de nosso cotidiano. Nesse game, o jogador assume o papel de Dave, um funcionário de um escritório prestes a se aposentar.

Dave tem compulsão por compras online e café. E por estes dois prazeres é que ele se levanta diariamente para ir ao trabalho, sempre atrasado. É nesse ponto que o game se mostra genial. Por ser uma produção simples, com gráficos em Pixel Art, o criador do jogo, Lou Begal (pseudônimo para o desenvolvedor Chris Taylor, que considera seu nome comum demais) converteu a jornada de trabalho do protagonista em uma releitura de Pac-Man.

Foi a maneira que ele encontrou de converter a atividade burocrática de um escritório num game desafiador. Mas a escolha do clássico dos arcades e do Atari não foi em vão. Segundo o criador do jogo (com quem tive a oportunidade de conversar numa divertida trocas de mensagens via Twitter), a inspiração do game veio de uma experiência pessoal.

Mais uma xícara

No game, Dave precisa coletar os grãos de café como o personagem da Namco fazia com as barrinhas. No entanto, ao invés de ser perseguido pelos fantasmas: Inky, Blinky, Pinky and Clyde, Dave é seguido por sua colega Chatty Cathy. Se ela encostar no personagem, pegará ele de papo até o fim do expediente. Ou seja, no final do dia, Dave não recebe seu pagamento e ainda toma uma bronca do chefe.

Dave-Man, game independente para PC e Mac

Talyor (Begal) conta que há alguns anos, quando trabalhava numa firma em Chicago, ao voltar do almoço ele estava sonolento. No entanto, precisava finalizar uma tarefa antes de entrar para uma reunião. Para dar conta, precisaria tomar uma xícara de café. Mas percebeu que uma colega, uma senhora mais velha boa de prosa, estava vindo até sua mesa para conversar.

Ele deduziu que se ela chegasse até ele, não seria possível tomar o café e voltar para finalizar a tarefa a tempo. Assim, ele saltou da cadeira e saiu correndo em direção à cafeteira.

“Obviamente, não fui em direção à colega que estava tentando evitar. Mas havia apenas duas opções. O prédio em que eu trabalhava era antigo, no centro de Chicago. Renovado, mas a estrutura e os corredores eram os mesmos e, às vezes, como labirintos. Em resumo, a rota direta para o refeitório onde a cafeteira estava localizada era no corredor que a colega de trabalho estava descendo. Fui obrigado a ir como num labirinto para chegar ao refeitório”, recorda do desenvolvedor.

Mea-culpa

Mas Taylor faz uma ressalva: “Essa minha antiga colega era realmente muito legal e eu, sinceramente, não conseguia pensar em algo negativo a dizer sobre ela. Ela era muito gentil e atenciosa e queria conversar com todos”, explica o desenvolvedor, que considera injusto pensarmos nessa colega da mesma maneira que vemos a personagem do jogo, que é a antagonista.

Antes de Dave-Man, Lou Begal (Talyor) tinha se dedicado a Lou Bagel’s Waffle Bar, uma espécie de releitura de Tapper, aquele jogo do balconista, que precisa entregar as canecas de cerveja para os clientes. A produção, encorajou o desenvolvedor a pensar num projeto mais ambicioso. E foi a partir daí que ele iniciou o projeto do game, e fez tudo sozinho, com exceção da trilha sonora e efeitos que ficaram a cargo do músico Scowsh Molosh, de Manchester.

Em casa

Dave-Man, game independente para PC e Mac

No final do dia Dave volta para casa. Lá sua esposa prepara o jantar. Até a comida ficar pronta, ele pode checar seu computador, em que pode comprar mobílias para a casa e rechear sua coleção de livros, dos mais diferentes assuntos. Mas a vida de Dave é corrida, tanto que muitas encomendas só são desembrulhadas aos domingos, quando ele tem folga.

Tudo é salpicado de pequenos e ácidos diálogos. No escritório, Dave pode cruzar com um colega no bebedouro, que dá dicas de coisas para comprar pelo computador. É possível adquirir disfarces, relógios (que param o tempo) e até mesmo um aparelho que emite ruído e atrai a atenção de Chaty Catthy.

Se o jogador quiser uma partida mais rápida, pode optar pelo modo Arcade. Esse modo coloca o jogador no escritório, coletando os grãos de café e fugindo de Chatty Cathy, sem a volta para casa e demais momentos do cotidiano do personagem.

Palavra Final

Dave-Man é um game incrível. É simples e complexo ao mesmo tempo. A história do personagem, com seu cotidiano melancólico do modo perpétuo de nossas vidas, em busca de pequenos prazeres que nem sempre podemos usufruir.

Disponível para PC e Mac, ao preço de R$ 6.

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